quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O que será (o mal da Terra)


O que será, que será?
Que andam aspirando
os agiotas?
Que andam lamentando
as bancarrotas?
Que anda enganando
no breu das cotas?
Que vendem as promessas?
Que compram as cocas?
Que anda enchendo
as celas e os becos?
Que estão falando alto
pelos governos
E gritam nos mercados
que com certeza
Destrói a natureza
O que será, que será?
O que não tem certeza
nem nunca terá
O que não tem afeto
nem nunca terá
O que não tem tamanho.


O que será, que será?
Que vive nas idéias
dos contratantes
Que encantam as pobrezas
mais delirantes

Que juram os profetas
dos empresários
Está na romaria
dos mutilados
Está na fantasia
dos infelizes
Está no dia a dia
das meretrizes
No plano dos bandidos
dos desvalidos
Em todos os sentidos
Será, que será?
O que não tem decência
nem nunca terá
O que não tem lisura
nem nunca terá
O que não faz sentido.


O que será, que será?
Que todo o reformismo
não vai evitar
Porque todos os direitos
vão reafirmar
Porque todos bovinos
irão aceitar
Porque todos juízes
irão consagrar
E todos assassinos
vão desembestar
E todos os grã-finos
vão financiar
E mesmo o populista
que quer controlar
olhando aquele inferno
vai abençoar
O que não tem governo
nem nunca terá
O que não tem vergonha
nem nunca terá
O que não tem juízo.


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