segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Belo Monte não é fácil

Fiz esse texto em resposta a um vídeo de estudantes da UNICAMP, que tentam fazer parecer idiota todo mundo que tem dúvidas ou são contrários à obra (e eu sou muito radicalmente contrário a ela). Acredito que a questão não deve se resumir à exibição de fatos que tragam a verdade. Essa dimensão é mais que essencial e eu me esforcei aqui por ela. Mas devemos pensar também na nossa própria forma de pensar e de encaminhar as questões. O vídeo dos "unicampineiros" é mistificador em ambos os sentidos. Quanto a este texto, não o considero acabado, acho que há outros elementos a serem verificados e devo voltar a ele depois para resolver algumas coisas nebulosas na minha cabeça. Ele não é nada demais: é uma junção de coisas que já estavam por aí na internet, mas agora canalizadas para o material postado por aqueles estudantes de economia e engenharia civil. De qualquer forma, mesmo nesse estado primitivo e nessa trivialidade, acredito que a leitura dele seja proveitosa. (Vi agora que faltou a bibliografia. Volto amanhã ou depois para pô-la)


A primeira acusação que o vídeo faz é que a obra não custaria 30 bilhões, como os desinformados e os globais estariam informando, mas 19 bilhões. A fonte dos caras é a EletroNorte, que “desde os anos 70 estuda a questão”. Não se passaram 20 segundos do vídeo e já temos patente a ingenuidade desses universitários. É que uma grande parte da disputa em torno de Belo Monte se dá justamente em função da contestação de dados e perspectivas apresentados por essa empresa pseudo-estatal e que são comprados pelo alto Executivo brasileiro. Longe de um fato evidente, os dados em torno da usina tem uma história de arbitrariedade e mentira. Alguém mais neutro no debate, sem opinião formada sobre a obra, diria “acusações de mentira”. Mas em relação à arbitrariedades, não se pode negar já que houve vários técnicos do governo demitidos, relatórios contrários à obra ignorados, licenças aberrantes, etc.

Voltando ao custo da obra, o fato é que há uma ação judicial para que ela seja valorada, justamente para que tenhamos mais clareza, tendo em vista que obras de grande porte desde sempre aumentam de preço durante o processo, podendo chegar a mais que o dobro (o que é especialmente sensível quando se fala em bilhões). Para termos uma idéia, em 2006 o projeto foi anunciado com um custo de R$ 4,5 bilhões e em 2001, a R$10 bilhões. Hoje, há uma estimativa oficial de R$ 26 bilhões, e outras chegam a 30 bilhões. A volubilidade é grande mas esses números mais altos são bem mais plausíveis do que os R$ 19 bilhões já que só o empréstimo pedido ao BNDES para a obra foi de R$ 25 bilhões ( E “nesse custo não estão previstos o valor do desmatamento que pode atingir 5,3 mil km2 de floresta (segundo o próprio consórcio), o valor de 100 km de leito do Xingu que praticamente ficará seco, a indenização a povos indígenas e ribeirinhos localizados nesse trecho, todos os bairros de Altamira que estão abaixo da cota 100 e, portanto, serão inundados... só para mostrar alguns exemplos.” (Procurador Felício Pontes)) O que eu quero destacar aqui não é tão simplesmente que o dado advogado pelo vídeo é errado (muito embora o seja). Mas é justamente esse método de apresentar um “número verdade” que ilumina a ignorância, desconsiderando o problemático processo, tanto político quanto técnico, de elaboração desses números.

Essa forma despolitizada de pensar a questão tem um outro sintoma no vídeo desses universitários (e do seu professor bigode de engenharia eletrônica). É a idéia de que é positivo que o governo desembolse esse dinheiro e não as empresas privadas ou os gringos (e aqui eles nem disfarçam o ufanismo e o nacionalismo típicos dessa Era Lula). A premissa é de que a usina é um bem encampado por brasileiros e gozado por esses. Entender que o Estado não atua com interesses próprios coincidentes com o do conjunto da população pode ser muita sociologia para certas mentes. Aqui talvez eles precisassem de uma aula de capitalismo, e em especial de capitalismo brasileiro, onde o governo disponibiliza somas de recursos colossais com uma facilidade tremenda para ganhos particulares em curto prazo atropelando o que seria o bem comum. Ou será que somos todos acionistas das empreiteiras e das empresas que venderão a energia? Mas para ficar apenas no nível daquilo que é enunciado em defesa de Belo Monte, devemos observar a utilização dessa energia. Qual o seu uso deve ser a primeira questão e aqui vemos também uma propaganda enganosa.

A ideia de utilização da energia pelos lares da população não se sustenta, já que os custos de transmissão para a região sudeste e para uma rede de distribuição nacional são muito altos, também com muitos impactos ambientais. Essa impossibilidade, que é clara, foi admitida há um tempo atrás, e os planos passaram a destinar a maior parte da energia para usinas de alumina e alumínio no próprio Pará. Nesse caso, para fazer valer o plano de abastecimento das casas brasileiras, deveriam ser construídas outras termoelétricas (não hidroelétricas) (Jurití e Barbacena), multiplicando os problemas que já enfrentamos com Belo Monte (Painel, p.108-117). Logo, vê-se que no centro do debate deve estar as indústrias eletrointensivas. Apenas seis setores industriais consomem 30% da energia elétrica no país, e apenas dois deles estão vinculados ao mercado doméstico: o de cimento e o de indústria química. Os outros são aço, alumínio primário, ferroligas e celulose. Além da enorme quantidade de energia elétrica, essas empresas tem um custo ambiental altíssimo. Os países centrais tem banido esse processo de seus territórios, mas a tendência brasileira, no auge de sua “soberania” lulista, é contrária (lembremos aqui também da TKCSA que se instalou no Rio de Janeiro mas que não se sustentaria diante de exigências ambientais européias). Uma projeção oficial do governo é que, em 10 anos, a produção de alumínio dobre e que a produção de aço e celulose triplique. Isso faz parte de uma tendência econômica brasileira de primarização de sua economia, submissa a demandas que forçam uma economia exportadora. Esses bens primários tem pouca agregação de valor e geram pouco emprego. (Entrevista Célio Bermann) A questão é: o que a nossa população ganha com isso, principalmente tomando relação com os lucros das grandes empresas com os investimentos públicos? O que justifica um país tão miserável, com hospitais, saneamento, educação, etc. tão precários, destinar um volume de dinheiro tão grande para favorecimento da produção de bens que ele próprio não consome? Essas questões estão resumidas na citação abaixo: Diferentemente de produzir metais para o consumo dos próprios brasileiros, produzir para exportação é essencialmente sem limites em termos das quantidades que o mundo possa querer comprar. Portanto, não há limites sobre o número de hidrelétricas necessárias para essa exportação, a não ser que o País tome uma decisão soberana sobre quanto quer exportar desses produtos, se é que quer exportar uma quantidade qualquer. Até hoje, o assunto não foi discutido pela sociedade brasileira. Essencialmente, o resto do mundo está exportando os impactos ambientais e sociais do seu consumo para o Brasil, país que não só aceita, mas até subsidia e facilita a destruição que isto implica. A atual história da indústria de alumínio deve deixar revoltado qualquer brasileiro que tenha um mínimo de senso patriótico (e.g., Bermann, 2003; Ciccantell, 2005; Monteiro & Monteiro, 2007; Pinto, 1997). O suprimento de energia para essa indústria de exportação, que é a principal razão da construção de Belo Monte, causa os mais variados impactos ambientais e sociais através da construção de hidrelétricas, além de requerer pesados subsídios de várias formas, especialmente a construção das barragens com o dinheiro dos contribuintes brasileiros, deixando as conhecidas faltas de recursos financeiros para saúde, educação e outros serviços governamentais.

O aumento da capacidade geradora com a construção de hidrelétricas é sempre apresentado como uma “necessidade”, fornecedora de energia para lâmpadas, televisores, geladeiras e outros usos nos lares do povo do País (e.g., Brasil, MME, 2009). Mal se menciona que grande parte da energia vai para alumínio e outros produtos eletro-intensivos para exportação, e que a energia já exportada anualmente em forma de lingotes de alumínio excede em muito a produção de qualquer uma das obras atualmente em discussão (grifo meu). O cenário de referência, ou ―linha de base, para a hipótese de não ter a hidrelétrica é sempre apresentado como sendo a geração da mesma energia com petróleo, nuclear, ou outra fonte indesejável. Mas no caso de Belo Monte, a alternativa real seria simplesmente não gerar a energia e ficar com menos exportação de alumínio (e de empregos) para o resto do mundo. Enquanto isso, poderiam ser realizadas aquelas discussões ainda inexistentes ou escassas sobre o desenvolvimento econômico da Amazônia, o uso da energia do País, e a maneira com que são tomadas as decisões. “

Belo Monte, que já é problemática, precisa se expandir. Como diz Berman, que trabalhou no governo Lula, “a forma como esta usina está colocada, é uma aberração técnica tão grande que é totalmente ilógico construí-la. (…) Então, a pergunta é: por que construir uma usina desse porte, se, na média anual, ela vai operar com 4.300 megawatts? Necessariamente vão vir as outras quatro. Eu estou afirmando isso, infelizmente. Tecnicamente, eu tenho absoluta certeza. Porque as usinas rio acima vão segurar a água e aí Belo Monte não vai depender da quantidade de chuva. É o único jeito dessa potência instalada de 11.200 megawatts existir de fato.” (Entrevista) Me parece então que o problema é muito mais complexo do que o arremate que os economistas e engenheiros da Unicamp querem dar ao dizerem, reducionisticamente e com a arrogância dos supostamente bem informados, “Nenhuma usina produz 100% de sua capacidade”

Essa discussão demonstra que a realidade é mais difícil do que o pensamento que diz que simplesmente precisamos de mais energia e devemos nos sacrificar por isso. Independentemente do fato de que a grande boca são as indústrias eletrointensivas, predatórias por si só, devemos também pensar que em um mundo governado pelo capital a demanda por energia vai sempre se recolocar, de forma potencialmente infinita, já que não existe capitalismo sem crescimento. E a não ser que se acredite em meia dúzia de cientistas não catastrofistas (e nem os governos pelo mundo acreditam neles), o mundo não suporta mais tanto progresso.
Voltando ao vídeo, ele segue na opinião de que Belo Monte não vai fazer tanto estrago assim. Afinal, o que estariam fazendo seus contrários é uma “tempestade em copo d'água”. A área afetada seria de apenas 1.100km2. Os universitários campineiros, então, nos indicam a dar uma checada no Google Earth e observar a “verdade” sobre a área a ser alagada: ela já teria sido desmatada muito antes (Pensei então que alguém, talvez um deles, devesse ir avisar aos povos da florestas que as coisas pelas quais eles estão lutando, e que definem muito suas vidas, já foi devastada. Os povos da floresta, que em defesa de sua forma de vida e seu habitat, muito frequentemente pagam com suas próprias vidas, estão vivendo e morrendo por não muito e ainda não sabem). A conclusão é que o impacto sobre a floresta é muito pequeno, principalmente em comparação com desmatamentos usuais na Amazônia e aqui eles vão supondo que a obra de Belo Monte é de natureza distinta da predação mais clássica sobre a floresta.

Novamente, chamo a atenção para as profundas divergências em relação aos números. Existe acusações tanto de subdimensionamento dos impactos (humanos, econômicos, ambientais, etc.), quanto de pura negligência, feito por estudiosos de diversas universidades brasileiras. Eles são independentes, ou associados a entidades ambientais, ou ligados ou ex-ligados ao governo. Então, uma simples reprodução do que diz os relatórios produzidos pelos interessados diretos na bilionária obra não nos ajuda a conhecer melhor a coisa. Não se precisa nem do confronto com outras estimativas: o próprio histórico dos estudos favoráveis a Belo Monte o põe em cheque. Além das demissões de técnicos do governo que já citei (sacrificados também para viabilização de alianças com a “família Sarney”) é importante citar também que em 2009, o Ministério Público propôs Ação Civil Pública para declarar a nulidade do ato administrativo do aceite do EIA/RIMA [Estudo de Impacto Ambiental] proferido pelo Ibama: por apresentar vício no que tange a não exigir que todas as condicionantes apresentadas no termo de checagem do EIA/RIMA com o Termo de Referência, sejam apresentadas antes da decisão do aceite, violando a Instrução Normativa 184/2008 Ibama, bem como os princípios constitucionais da publicidade e da participação democrática previsto no art. 1°,3°, 37e 225 da CRFB, (...); por omitir dolosamente parte do Estudo do Componente indígena do EIA/RIMA (denominado Estudo Etnoecológico), consistente no Estudo dos índios citadinos constantes no Termo de Referência da Funai, integrado ao do Ibama; pela ausência do estudo da sinergia do impacto dos empreendimentos hidrelétricos na bacia hidrográfica quanto a população indígena e bem como a análise integrada do componente indígena ao EIA/RIMA (...); e, por fim, pelo vício formal do ato administrativo consistente na ausência de motivação do ato de aceite do EIA/RIMA pelo Ibama (...)”.

Note-se que não foi Belo Monte que foi contestada, foi o Estudo de Impacto Ambiental “oficial”, entregue ao IBAMA pela Eletrobrás e por três empreiteiras. O TCU também o rejeitou: “Foi observado pela equipe de auditoria o aumento gradativo no número de condicionantes estipuladas nas licenças ambientais de obras sob responsabilidade do Ibama nos últimos anos. As principais causas apontadas pelos técnicos pesquisados para o aumento foram, essencialmente, a má qualidade dos estudos ambientais, o deficiente preparo técnico dos analistas do órgão licenciador, a concessão de licenças por pressão política, a legislação ambiental mais restritiva, a insegurança do analista em relação à responsabilização, a excessiva precaução pela falta de acompanhamento da efetividade das medidas e, por fim, a ausência de padronização. A equipe inferiu, a partir dos dados coletados, que os EIAs de má qualidade geram insegurança nos analistas, que, por precaução, acabam por exigir um maior número de condicionantes para suprir as deficiências apresentadas nos estudos e evitar problemas que possam ser gerados por causa de estudos mal embasados.”

É importante dizer também que o conceito utilizado pelo discurso de empresas e do governo é o de área afogada, e não afetada. Ainda assim, conforme já citei, o próprio consórcio admite que o desmatamento que pode atingir 5,3 mil km2 de floresta, quase cinco vezes mais do que disseram essas pessoas de aparelhos nos dentes. Outras inadequações metodológicas impedem também uma indenização adequada dos envolvidos. O que os cientistas contra Belo Monte tem apontado é simplesmente que não se conhece o potencial destrutivo da obra, muito embora possa ser concluído o seu caráter catastrófico. Os custos reparadores das consequências também seria enormes: só com o tratamento de água, estima-se cerca de R$ 40 milhões por ano. Todas as coisas somadas tornam a usina economicamente inviável, ainda que se considere o seu melhor cenário econômico: custos socioambientais podem chegar a ordem de R$800 milhões de reais ao ano e no atual estado jurídico os empreendedores não irão se responsabilizar por eles (Painel, 136). De acordo com os universitários, Belo Monte renderia R$ 40 bilhões por ano. Mas eu não achei nenhuma outra referência a essa informação ou a qualquer coisa que faça parecer a obra ser tão rentável (e sempre lembrando que esse lucro não é estatal e portanto da sociedade brasileira, como o vídeo faz parecer). Há denúncias de superdimensionamento da capacidade energética da usina, mas nada nesse grau. Na verdade, o mais verificável é a defesa de Belo Monte se contorcendo para tentar convencer de que a obra não é de alto risco e insustentável humanamente. Nesse sentido, essa citação é importante: “Um estudo do Fundo de Estratégia de Conservação mostra a inviabilidade de Belo Monte sozinha, com apenas 2,8% de chance de compensar o investimento se forem consideradas as estimativas dos vários riscos, e um máximo de apenas 35,5% de chance de ser financeiramente viável se for usada no cálculo uma série de presunções otimistas (Sousa Júnior et al., 2006, pp. 72-74). O estudo conclui que o projeto anda em direção a uma ―crise planejada‖, onde, uma vez construído a Belo Monte, a necessidade de também construir a Babaquara/Altamira vai ser subitamente descoberta, e essa obra muito mais danosa vai, então, se concretizar. O mesmo cenário tem sido previsto por este autor há décadas (Fearnside, 1989, 1999, 2001, 2006a).” (Painel) (Imprevisto em obras de hidrelétricas que demandam uma soma de recursos superior ao que foi primeiramente acordado, é uma situação clássica, pelo menos no Brasil)

Sobre a parte em que o vídeo fala dos benefícios que as comunidades devem receber, a inocência do discurso chega também a níveis altos. Ele é simplesmente uma obra de ficção pela expectativa de que as populações possam ser beneficiadas. O processo de construção de Belo Monte, já em curso, já tem atropelado essas populações e os trabalhadores da usina (que nesse momento estão em greve), sendo mais um episódio de uma história longa de desrespeito e violência na nossa era republicana. Como também já apontei, não existe um registro oficial que nem mesmo reconheça vários dos impactos que essas populações sofrem e sofrerão, o que põe a possibilidade de indenização mais remota. Também, é uma grosseira falta de senso antropológico pensar que essas dezenas de milhares de pessoas (indígenas ou não) possam simplesmente se deslocar para outro lugar e ali recomeçarem suas vidas (e, pelo amor de Deus, isso não tem a ver com usar celular ou não). Por fim, é triste que alguém pense que a usina pode resolver questões sociais da população, quando a própria usina é seu principal problema e a assistência a essas pessoas demandaria bem menos esforços.

Depois, eles passam a defender que energia elétrica é energia limpa, através do maravilhoso e quase inacreditável argumento de que a água sai da usina tão limpa quanto entrou, como se isso finalizasse a questão. Não enfrentam outros gritantes problemas que a citação a seguir traz. Ela é grande mas a pus aqui por ser também indicativa da qualidade de algumas informações difundidas por aí: Hidrelétricas emitem metano, um gás de efeito estufa com 25 vezes mais impacto sobre o aquecimento global por tonelada de gás do que o gás carbônico, de acordo com as atuais conversões do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC). O EIA-RIMA de Belo Monte afirma que “uma das conclusões principais dos estudos realizados até o momento indica que, em geral, as UHEs [Usinas Hidrelétricas] apresentam menores taxas de emissão de GEE [Gases de Efeito Estufa] do que as Usinas Termelétricas (UTEs) com a mesma potência” (Brasil, ELETROBRÁS, 2009, Vol. 5, p. 47). Infelizmente, pelo menos para a época dos inventários nacionais sob a Convenção de Clima (1990), todas as “grandes” hidrelétricas na Amazônia brasileira (Tucuruí, Samuel, Curuá-Una e Balbina) tinham emissões bem maiores do que a geração da mesma energia com termelétricas (Fearnside, 1995, 2002, 2005a,b). O EIA-RIMA afirma que “o trabalho realizado no rio Xingu, na área do futuro reservatório do AHE [Aproveitamento Hidrelétrica] Belo Monte, aponta para a estimativa de emissão de metano de48 kg/km2/dia, da mesma ordem de grandeza que os reservatórios de Xingó e Miranda” (Brasil, ELETROBRÁS, 2009, Vol. 5, p. 47). Xingó e Miranda são duas hidrelétricas não amazônicas que os autores calculam ter um impacto bem menor do que uma termoelétrica do tipo mais eficiente (Brasil, ELETROBRÁS, 2009, Vol. 5, p. 48).

Os autores calculam essas baixas emissões de metano das hidrelétricas por ignorar duas das principais rotas para emissão desse gás: a água que passa pelas turbinas e pelos vertedouros. Essa água é tirada de uma profundidade suficiente para ser isolada da camada superficial do reservatório, e tem uma alta concentração de metano dissolvido. Quando a pressão é subidamente reduzida ao sair das turbinas ou dos vertedouros, muito desse metano é liberado para a atmosfera, como tem sido medido em hidrelétricas como Balbina, no Amazonas (Kemenes et al., 2007) e Petit Saut, na Guyana Francesa (Abril et al., 2005; Richard et al., 2004). O EIARIMA considera apenas o metano emitido na superfície do próprio lago, e nem menciona as emissões das turbinas e vertedouros.

A revisão da literatura incluída nos EIA-RIMA sobre emissões de gases por hidrelétricas está restrita aos estudos dos grupos ELETROBRAS e FURNAS, como se o resto do mundo não existisse (ver Brasil, ELETROBRÁS, 2009, Vols. 5 & 8). A revisão é tão seletiva que não há a menor chance de ser explicado por omissões aleatórias. Apenas são mencionados trabalhos que não desmentem a crença dos autores do EIA-RIMA, de que as emissões de hidrelétricas são muito pequenas. Não é mencionado o corpo volumoso de pesquisa na hidrelétrica de Petit Saut, na Guyana Francesa, onde há uma série de monitoramento de metano bem mais completa do que em qualquer barragem brasileira (Galy-Lacaux et al., 1997, 1999; Delmas et al., 2004; Richard et al., 2004; Abril et al., 2005; Guérin et al., 2006). Também não são mencionados os trabalhos do grupo que estuda o assunto no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE (de Lima, 2002; de Lima et al.,2002, 2005, 2008; Bambace et al., 2007; Ramos et al., 2009), nem os estudos do grupo na Universidade de Quebec, no Canadá, que também estudou barragens amazônicas (Duchemin et al., 2000), nem os estudos do laboratório de Bruce Forsberg, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA (Kemenes et al., 2006, 2007, 2008; Kemenes & Forsberg, 2008), e, tão pouco, as minha próprias contribuições a essa área, também no INPA (Fearnside, 1995, 1996, 1997, 2002, 2004a,b, 2005a,b,c, 2006b,c, 2007, 2008a,b). Os resultados de todos esses grupos contradizem, de forma esmagadora, o teor da EIA-RIMA em sugerir que hidrelétricas têm pequenas emissões de metano.

A conclusão do grupo que assina a parte do EIA-RIMA sobre emissões supostamente modestas de metano pelas hidrelétricas tem sido desacreditada por observadores independentes no meio acadêmico, devido às obvias omissões da emissão pelas turbinas e vertedouros (Cullenward & Victor, 2006). As Organizações Não Governamentais (ONGs) vão mais longe, com acusações explícitas de conflito de interesse (McCully, 2006).

A essa altura, o grupo que assina a parte do EIA-RIMA sobre emissões não tem a menor desculpa para omitir as emissões das turbinas e vertedouros, sendo que o primeiro autor dessa parte do EIA-RIMA tem sido presente em múltiplas reuniões onde resultados que contradizem as suas conclusões foram apresentados, incluindo o evento da UNESCO em dezembro de 2007, ocorrido em Foz de Iguaçu, que é mencionando no EIA (Brasil, ELETROBRÁS, 2009, Vol. 5, p. 50). Ele até tem o seu nome incluído na lista de autores de um trabalho sobre as emissões em Petit Saut no qual os dados desmentem frontalmente as conclusões dos grupos da ELETROBRÁS e FURNAS (Abril et al., 2005).

Fingir que emissões apenas ocorrem pela superfície do lago, sem considerar a água passando pelas turbinas e vertedouros, é uma distorção ainda mais grave no caso de Belo Monte do que para outras barragens, uma vez que a área do reservatório da Belo Monte é relativamente pequena, porém, com grande volume de água passando pelas turbinas. No caso de Belo Monte junto com Babaquara/Altamira, as emissões das turbinas são enormes, especialmente nos primeiros anos, e esse conjunto de barragens levaria 41 anos para começar a ter um saldo positivo em termos do efeito estufa (Fearnside, 2005c). Concentrar as análises de emissões das hidrelétricas apenas na superfície dos reservatórios, como foi feito no EIA-RIMA, é igual a não observar um elefante no meio de uma pequena sala, por fixar os olhos em um dos cantos da sala. (Painel, p.110-1)

Por fim, os feiosos da Unicamp entram no seguinte argumento, altamente utilitário e pragmático, que para mim é a chave do pensamento favorável à usina: Belo Monte tem impactos ambientais mas a energia eólica e solar não nos serve porque elas tem uma relação custo/benefício muito desfavorável. Em uma certa variação dessa ideia, alguém diria que para fazer omelete deve-se quebrar ovos. Mas e se a gente não for comer o omelete? E se pra comer a omelete não fosse preciso quebrar ovos?

A Alemanha lançou um plano que até 2050, 80% de sua energia será renovável e limpa (eólica, solar, biomassa). Isso significa que em 4 décadas, ela vai ter 14 usinas de Belo Monte (http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/11/alemanha-quer-ter-energia-limpa-equivalente-14-vezes-belo-monte.html ). A nossa contramão me parece gritante.

Historicamente, a ideia de progresso sempre significou devastação. Ela foi legitimada de muitas formas, mas no nosso tempo é a primeira vez que ela parece com essa ar arrojado, jovem e maroto. Os “desafios do século XXI”, como diz o professor de engenharia eletrônica que aparece ao final, são repostos da mesma forma que no século XIX ou XX. Esse vídeo é só uma outra forma de obscurantismo.

31 comentários:

David Bonis disse...

Olá. Meu nome é David. Sou repórter, e estou fazendo uma matéria sobre a construção da Usina Belo Monte. Quero saber se podemos conversar sobre o assunto. Meu e-mail é: david.bonis@gmail.com

Elton disse...

Eu estou lendo tudo que me cai na frente sobre Belo Monte para formar opinião. Confesso que tendo a ser a favor, mas não tenho vergonha nenhuma de mudar de opinião, até por que a minha tendência não é embasada. Uma coisa que eu gostei do vídeo dos atores é que ajudou a fomentar o debate, do qual o vídeo dos estudantes da Unicamp é parte. Agora, sinceramente, não vi isso que já é dito no primeiro parágrafo de que o vídeo trata como idiota quem é contra Belo Monte. O que eu tenho visto muito é o contrário. Demorei muito para começar a estudar os argumentos contra a obra exatamente por ser tratado como idiota ou cafajeste (até de genocida fui chamado) por manifestar minha tendência em favor da obra.

Reinaldo disse...

Acho que seu arquivo tem mais equívocos que o vídeo que condena.
Sobre a transmissão você alega custos altos para levar energia ao Sul e Sudeste? Nunca ouviu falar de Sistema Norte-Sul, inaugurado em 1999? Ou acha que Tucuruí alimenta o Sudeste mandando a eletricidade via satélite?
Tucuruí e Belo Monte são mais próximas do que Rio e SP.

A Alemanha não tem recursos hídricos. Filho, a geração de energia alemã é 40% carvão e 26% nuclear. Eles adorariam ter nossa matriz hidrelétrica. E as suas besteiras continuam que não dá nem pra ler...

Adjútor Alvim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adjútor Alvim disse...

Posso publicar este texto em meu blog?

http://casatolerancia.blogspot.com/2011/11/belo-monte-noticia-ou-novela.html

Wagner Artur disse...

«A ideia de utilização da energia pelos lares da população não se sustenta, já que os custos de transmissão para a região sudeste e para uma rede de distribuição nacional são muito altos, também com muitos impactos ambientais. Essa impossibilidade, que é clara, foi admitida há um tempo atrás, e os planos passaram a destinar a maior parte da energia para usinas de alumina e alumínio no próprio Pará.»

Você poderia, por favor, apontar fundamentação técnica/acadêmica para essa impossibilidade de transmissão de energia? Gostaria de entender melhor seu argumento. Obrigado!

Zé Roberto disse...

Qual é cara? Vc não percebeu a importâncis do video dos meninos?
Simples....discutir.
Se vc se acha esperto,vai vender lampião em Cuba !!

Felipe Vaz disse...

Gente, o custo de transmissão NÃO É somente o custo de interligação ao sistema.

O custo de transmissão tem a ver mais com a perda de energia por km. Acontece em qualquer tipo de transmissão, e naturalmente tem maior custo quando a distância é maior, mesmo que a infraestrutura de transmissão estivesse pronta. Consumo distante da geração tem grandes perdas SEMPRE.

amilcar disse...

Longo texto, sinal que não é facil contrapor a quase brincadeira que os guris da Unicamp - sabiamente - fizeram. Acho que os ataques emocionais poderiam ser evitados, pois de certa forma prejudicam colocações muito validas feitas por voce. O que acho mais importante que a discussão sobre Belo Monte é - o Brasil precisa crescer muito ainda e para tanto precisa de abundancia de energia (isto seria uma hipotese) - em se aceitando isto qual a forma de suprir esta energia com menor impacto? milhares de geradores eolicos? paineis solares a cu$$$tos fantasticos? usinas termoeletricas (gas, petroleo ou carvão) ou uma usina nucelar ?

Walter Gandarella disse...

Muito bom, cara! Parabéns!

Walter
site PareBeloMonte.com.br

aiaiai disse...

mais feiosos para você criticar cegamente!

http://www.youtube.com/watch?v=feG2ipL_pTg&feature=youtu.be

Barkom disse...

Este texto pretende se contrapor ao vídeo dos estudantes da UNICAMP, mas parece-me que o autor nem se deu o trabalho de assistir o vídeo prestando a devida atenção.

“ vídeo de estudantes da UNICAMP, que tentam fazer parecer idiota todo mundo que tem dúvidas ou são contrários à obra”

O texto começa não colocando nenhum argumento consistente contra o vídeo, como se esperaria de um artigo sério, mas na primeira linha já começa a apelar para uma acusação totalmente insensata. O vídeo dos estudantes da UNICAMP chama para o debate e não faz ninguém de idiota. Então é idiota quem apresenta argumentos baseados em números e fato e não em meras suposições? Ridículo.

“A primeira acusação que o vídeo faz é que a obra não custaria 30 bilhões, como os desinformados e os globais estariam informando, mas 19 bilhões. A fonte dos caras é a EletroNorte, que “desde os anos 70 estuda a questão”. Não se passaram 20 segundos do vídeo e já temos patente a ingenuidade desses universitários.”

Se o autor assistiu o vídeo deve ter percebido que, em relação ao custo da obra, o principal argumento dos estudantes é que a usina terá uma receita de 40 Bi anuais, logo, investir o valor que estão propondo é plausível. Acrescentaria dizendo que o argumento dos estudantes é tão forte que mesmo se for 19, 30 ou até mais bilhões, a construção continua plausível. E o autor do texto acima não refuta este argumento.

“O que eu quero destacar aqui não é tão simplesmente que o dado advogado pelo vídeo é errado (muito embora o seja). Mas é justamente esse método de apresentar um “número verdade” que ilumina a ignorância, desconsiderando o problemático processo, tanto político quanto técnico, de elaboração desses números.”

Em nenhum momento o vídeo não desconsidera o processo de elaboração dos números. Ao contrário, ao mostrar q existem outros números é que o vídeo abre o debate apresentando o fato de que existem vários lados da mesma moeda.

“Entender que o Estado não atua com interesses próprios coincidentes com o do conjunto da população pode ser muita sociologia para certas mentes. Aqui talvez eles precisassem de uma aula de capitalismo, e em especial de capitalismo brasileiro, onde o governo disponibiliza somas de recursos colossais com uma facilidade tremenda para ganhos particulares em curto prazo atropelando o que seria o bem comum.”

Acho que é o autor deste texto q precisa de uma aula de “como assistir filmes”. Os estudantes tanto sabem que o governo disponibiliza somas de recursos colossais com uma facilidade tremenda para ganhos particulares que até mostraram a manchete de um jornal q afirma a doação de 19 bi do banco central para bancos falidos. Os estudantes já passaram por esta aula. Concordo que a participação do capital privado poderia ser maior neste projeto. Mas, não tem jeito, para atrair capital privado para esta obra, ela precisa ser atrativa financeiramente, e um investimento deste porte em infra-estrutura só é atrativo se houver mecanismos que o governo coloca em prática, utilizando recursos púbicos. Quem constrói rodovias, portos, aeroportos, metrô, e até estádios no Brasil? E, neste caso, prefiro que o governo coloque 30 Bi do meu dinheiro em hidrelétrica do que 1 Real em estádio de futebol.


continua. ...

Barkom disse...
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Barkom disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Barkom disse...

... continuação ...


“A ideia de utilização da energia pelos lares da população não se sustenta, já que os custos de transmissão para a região sudeste e para uma rede de distribuição nacional são muito altos, também com muitos impactos ambientais.”

O que??? Não acredito que estou lendo isto. Esta afirmação demonstra tanta ignorância que vou dar apenas um exemplo: Itaipu. Itaipu fica lá no fim do mundo e alimenta o país quase inteiro. E nem precisa de dados de engenharia para te mostrar isso, basta lembrar que em 10/11/2009 houve falha em linhas de transmissão provenientes da Hidrelétrica de Itaipu e quase 90 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica, quatro Estados do Brasil ficaram completamente sem fornecimento elétrico com outros 14 sendo parcialmente afetados. Ou seja, Itaipu abastece 18 Estados, no mínimo. Ou seja, já existe rede de distribuição nacional. Ou seja, o argumento do autor é um poço de ignorância.

“O que justifica um país tão miserável, com hospitais, saneamento, educação, etc. tão precários, destinar um volume de dinheiro tão grande para favorecimento da produção de bens que ele próprio não consome?”

Meu amigo, vc está seriamente desatualizado! Vc precisa ler o edital do leilão da usina no site da Aneel. Vc verá que 70% da energia a ser produzida foi destinada ás distribuidoras, ou seja, à Eletropaulo, Cemig, etc, que abastece residências, indústria e comércio de pequeno porte. Não é energia para produção de bens que o brasileiro não consome, é energia para a casa do brasileiro, para o emprego do brasileiro.


“Então, a pergunta é: por que construir uma usina desse porte, se, na média anual, ela vai operar com 4.300 megawatts? ... (Entrevista) Me parece então que o problema é muito mais complexo do que ... querem dar ao dizerem ... “Nenhuma usina produz 100% de sua capacidade””

Caro autor do texto, me mostre uma fonte de energia que gere mais de 4.300MW com menos impacto e no mesmo preço que a hidrelétrica e daí então vc poderá discutir este tema comigo. É preciso construir uma usina desse porte, q vai operar com 4.300MW de média, pq o país precisa desta energia e não há outra opção mais viável.

“Essa discussão demonstra que a realidade é mais difícil do que o pensamento que diz que simplesmente precisamos de mais energia e devemos nos sacrificar por isso.”

Meu amigo, em que realidade vc vive? Sim, precisamos de MUITO mais energia! Pense no seguinte: o Brasil precisa de mais hospitais, escolas, universidades, que vão funcionar com qual energia? O Brasil precisa de mais empregos, ou seja, mais indústria e comércio, que vão funcionar com qual energia? O Brasil precisa de mais casas, que vão funcionar com qual energia? O Brasil precisa retirar milhões da miséria, que vão trabalhar, estudar, e adquirir suas casas, e tudo isso vai funcionar com qual energia? O Brasil precisa produzir mais alimentos, com qual energia? Sem energia vc não vive! Vc acha q não vale a pena se sacrificar por isso?

“Voltando ao vídeo, ele segue na opinião de que Belo Monte não vai fazer tanto estrago assim.”

Para refutar este argumento, o autor do texto coloca Estudo de Impacto Ambiental que data de 2009 e até trechos de estudos de 2006!!! Houve muita mudança de lá para cá!!! E novamente, se vc me nomear apenas uma fonte energética que, para a mesma quantidade de energia, pelo mesmo preço, produziria menos estrago, eu te dou um prêmio!

... continua....

Barkom disse...

.... continuação ....


“Sobre a parte em que o vídeo fala dos benefícios que as comunidades devem receber, a inocência do discurso chega também a níveis altos. Ele é simplesmente uma obra de ficção pela expectativa de que as populações possam ser beneficiadas. O processo de construção de Belo Monte, já em curso, já tem atropelado essas populações e os trabalhadores”

Qualquer obra de infra-estrutura de grande porte atropela as comunidades que estão em seu caminho. Ou vc acha que para construir rodovias, ferrovias, metrô, etc, não há desapropriações, ninguém é forçado a deixar suas casas, não há pessoas que perdem suas terras e seus bens? É claro que muitas pessoas vão ser prejudicadas. Mas dezenas de milhões de pessoas serão beneficiadas pela energia da usina. Pelo teu raciocínio, vamos parar de construir rodovias, ferrovias, metrô, portos, hospitais, universidades, etc! Para qualquer obra de infra-estrutura há um alto custo de impacto sócio-ambiental a ser pago. Mas os benefícios são muito maiores, e para um número muito maior de pessoas. O que devemos fazer é pressionar para que estes custos sócio-ambientais sejam os menores possíveis. Devemos lutar para que as construtoras respeitem os trabalhadores, as populações e o meio-ambiente e devemos lutar para que parem de atropelar as comunidades que estão em seu caminho. Mas não devemos parar obras importantes de infra-estrutura.

“Depois, eles passam a defender que energia hidrelétrica é energia limpa, através do maravilhoso e quase inacreditável argumento de que a água sai da usina tão limpa quanto entrou, como se isso finalizasse a questão. Não enfrentam outros gritantes problemas que a citação a seguir traz.”

E vc, autor do texto, não enfrenta o gritante problema que o Brasil apresenta: qual outra fonte de energia é mais limpa e mais viável do que a hidrelétrica? Por mais que esta citação que vc colocou mostra problemas das hidrelétricas, não são suficientes para ameaçar retirar a hidrelétrica do posto de melhor opção entre as fontes de energia. Não há, hoje, fonte de energia cujo balanço entre impacto sócio-ambiental, preço da energia e poluição seja melhor do que a hidrelétrica. Ou pelo menos não uma que possa ser utilizada, hoje, como matriz energética.

“Por fim, os feiosos da Unicamp entram no seguinte argumento, altamente utilitário e pragmático, que para mim é a chave do pensamento favorável à usina: Belo Monte tem impactos ambientais mas a energia eólica e solar não nos serve porque elas tem uma relação custo/benefício muito desfavorável. Em uma certa variação dessa ideia, alguém diria que para fazer omelete deve-se quebrar ovos. Mas e se a gente não for comer o omelete? E se pra comer a omelete não fosse preciso quebrar ovos?”

Só no mundo dos teus sonhos vc consegue comer omelete sem quebrar os ovos, ou seja, como eu disse acima, não há, hoje, melhor alternativa do que a hidrelétrica. E é ridículo o autor do texto mencionar o fato de que a Alemanha lançou um plano que até 2050, 80% de sua energia será eólica, solar, ou biomassa. Primeiro: eles não têm potencial para instalar hidrelétricas. Se eles tivessem a opção que o Brasil tem, não teriam construído tantas usinas nucleares. O autor do texto acima depois disse: “A nossa contramão me parece gritante.” Eu diria: “As nossas vantagens são, com certeza, gritantes”. Segundo: a Alemanha fará isso nos próximos 40anos. Nós teremos falta de energia já daqui 10 anos, se nada for feito. A nossa urgência é maior, e temos a melhor ferramenta.

‘Esse vídeo é só uma outra forma de obscurantismo.”

Só para mentes obtusas e fechadas para o futuro, como a mente do autor deste texto. Para pessoas que procuram o crescimento sustentável do país, a frase deveria ser: este texto é só uma outra forma de obscurantismo.

Até logo.

Fernando disse...

Quem diz que a Alemanha e outros países europeus não utilizam hidroelétricas porque não tem potencial hidrelétrico ignora o fato de que estes países já utilizam hidrelétricas há décadas: AS NOSSAS, para produzir a matéria prima de baixo valor agregado que compram de nós a preço de terceiro mundo e, após transformarem em produtos de alta tecnologia vendem de para os países consumidores a preços europeus.

É absurdo como atualmente tem gente citando a China como exemplo de empreendedorismo energético, quando desde a agricultura extensiva em terraços à nova fase da abundancia energética o país tem sido personagem de uma das maiores catástrofes ambientais da história e ja destruiu ecosistemas inteiros para alimentar seu crescimento desenfreado. Três Gargantas é uma aberração que só acontece em um país onde o governo faz de tudo pra manter o custo da produção industrial baixo independente das consequências, modelo que parece fazer a cabeça de alguns brasileiros. Não tem o mínimo respeito pelo homem, quanto mais pela natureza. É por isso que suas cidades estão literalmente sufocando, vivendo em plena era do mercado global as mazelas que os países líderes da revolução industrial enfrentaram ainda no século XIX.

É uma pena que o ensino de engenharia e economia tenha sido totalmente dominado por essa visão utilitarista da natureza. Ninguém mais é capaz de enxergar os impactos de nossas decisões fora de suas áreas específicas. Talvez tenha a ver com a participação dos bancos e empresas de engenharia no financiamento das universidades públicas de todo o país. Estudantes são levados a defender o lobby das construtoras (um dos setores mais antigos em atividade) e o interesse dos bancos achando que estão defendendo algum tipo de progresso para o país. A verdade é que quem lucra mais com Belo Monte não é a sociedade brasileira mas os bancos e construtoras, em um processo auto-replicante que tende ao lucro infinito.

São estes os mesmos interesses que fazem com que a energia solar (forma de energia mais abundante no planeta e que ja é o combustível da vida de trilhões de organismos) se mantenha como "alternativa cara demais", afinal preferimos investir mais dinheiro em tecnologias que arrastam a reboque industrias arcaicas (muito bem representadas até no senado) do que em meios de tornarmos economicamente viáveis tecnologias avançadas.

Barkom disse...

Prezado Fernando,

“A verdade é que quem lucra mais com Belo Monte não é a sociedade brasileira mas os bancos e construtoras, em um processo auto-replicante que tende ao lucro infinito.”

Esta afirmação é totalmente inverídica. Vou demonstrar:

Primeiro, construir hidrelétrica não é um negócio atrativo para aplicação de capital privado, porque o investimento inicial é astronômico e o retorno só vem após um período muito longo de tempo, depois de algumas décadas.
É por isso q 80% de Belo Monte vai ser financiada pelo BNDES (dinheiro público). Ou seja, bancos privados vão financiar apenas 20% da obra.
Ainda assim, o Ministério Público está pressionando o BC e o BNDES, porque há muita desconfiança em relação ao financiamento público. O MP quer saber dos riscos e da viabilidade deste financiamento.
Não é à toa que os bancos privados não têm grande participação neste financiamento. Eles estão relutantes em entrar no negócio porque são muito elevados os riscos financeiros e jurídicos, além de incertezas sobre os custos de construção do projeto.
Pensa comigo: se vc fosse banco privado, e tivesse de escolher entre investir em:
A) títulos públicos do governo federal (retorno garantido, daqui a um ano, de 11%, q é a taxa selic),
B) mercado imobiliário (retorno estimado, daqui a um ano, de 9%, q é IGMI-C acumulado de 2011, divulgado pela FGV)
C) Belo Monte, (retorno baseado em juros baixíssimos, após décadas).
Com certeza, financiar Belo Monte não é, para os bancos privados, a melhor alternativa de investimento. É por isso que a participação deles em Belo Monte é tão pequena.
A pergunta que fica é: porque então, o BNDES deveria financiar este empreendimento? Porque a lógica do BNDES é diferente da lógica de bancos privados. O BNDES é público, não tem a preocupação de fornecer a acionistas o maior lucro no menor tempo.
O BNDES é instrumento do governo para fomentar o crescimento através do financiamento de empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do Brasil, e que são de pouco interesse da iniciativa privada pelo alto risco. Neste leque se encontram as pequenas e médias empresas, investimentos sociais (saúde, saneamento, etc) e as grandes obras de infraestrutura, como portos, aeroportos, estradas, metrô, e hidrelétricas.
Percebe-se que os bancos privados vão tentar abocanhar uma fatia do bolo, mas, sem dúvida, pelas próprias características do empreendimento, não serão eles que vão mais lucrar com Belo Monte.

... continua.

Barkom disse...

.... continuação.

Segundo, construir hidrelétrica não é o melhor negócio para as construtoras.
Perceba: o consórcio vencedor de Belo Monte é chamado de Norte Energia, e é formado por nove empresas (Chesf, Queiroz Galvão, Gaia Energia e Participações, Galvão Engenharia, Mendes Energia, Serveng, J. Malucelli Construtora, Contern Construções e Cetenco Engenharia), sendo que a presença estatal é forte, com subsidiária da Eletrobrás em comando do grupo, enquanto a fatia das empresas privadas não supera 12,75%.
Porque? Pelas mesmas razões que bancos privados não participam: risco alto, e retorno baixo a um prazo longo demais. Tendo a FGV medido o retorno da renda de imóveis comerciais em 9% ao ano, como mostrado acima, se vc fosse construtora, preferiria investir em imóveis, ou em hidrelétrica, que dará retorno muito menor só daqui a algumas décadas?
É por isso que, no leilão de Belo Monte, houve desistência das construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht, duas das maiores do país. E este cenário não é exclusivo de Belo Monte, pois, por exemplo, o primeiro leilão do trem-bala fracassou pois nenhum grupo se apresentou na concorrência, com estas mesmas alegações: altíssimo investimento inicial para baixo retorno após muito tempo. Acontece a mesma história no metrô: o poder público é que constrói o metrô. Houve apenas uma exceção: a linha 4 amarela em SP, que só conseguiu participação privada após o governo ter criado diversos mecanismos de favorecimento ao capital privado,e, ainda assim, 60% da obra foi financiada pelo governo. Isto acontece com portos, estradas, etc, com qualquer grande obra de infra-estrutura.
Mais uma vez: não, não são as construtoras que mais vão ganhar com Belo Monte.

... continua.

Barkom disse...

... continuação.

Uma coisa é certa: um dos grandes ganhadores em Belo Monte será a sociedade brasileira.
Se vc ler no site da aneel o edital do leilão da Belo Monte, verá que JÁ FORAM destinados para as distribuidoras, tipo Eletropaulo, que são aquelas que fornecem energia elétrica a residências, pequenas indústrias e comércio, 70% da energia a ser produzida em Belo Monte. 70% !!!Ou seja, vc poderá ter energia de Belo Monte na tua casa. A empresa na qual vc trabalha pode ser alimentada por Belo Monte. E vc acha que isso não é beneficiar a sociedade brasileira?
É uma mentira dizer que só grandes empresas vão se beneficiar da energia de Belo Monte. Veja o exemplo de Itaipu: falaram a mesma coisa qdo foi construída, e hoje, 20% da energia utilizada no Brasil vem de Itaipu. E 90 milhões de brasileiros sofreram o que é ficar sem Itaipu no apagão de 10/11/2009.
Sim, as construtoras e alguns bancos vão ganhar dinheiro, também alguns políticos corruptos. Mas a obra é uma forma de eu e vc termos energia elétrica! A obra é uma forma de prover energia elétrica para sustentar o crescimento do país!
Quantos milhares de pessoas, nos últimos anos, estão melhorando de vida, seja saindo da miséria, seja subindo para as classes C e B? E estas pessoas querem casa, comida, roupas, lazer ... e quem vai fornecer energia elétrica para tanto? O país tem atraído indústrias (vide a JAC Motors na Bahia), tem intensificado o comércio, tem visto empresas nascerem do empreendedorismo, tem criado milhares de empregos, e quem vai fornecer energia elétrica para isso? A demanda de energia elétrica no Brasil ao longo da década deverá crescer a uma taxa média de 4,8% ao ano, saindo de um patamar de consumo total de 456,5 mil gigawatts-hora (GWh) no ano de 2010 para 730,1 mil GWh em 2020. O consumo médio por consumidor residencial passará de 154 kWh/mês, em 2010, para 191 kWh/mês em 2020! E quem vai prover a energia para isso?
Se não quisermos um novo apagão, nos moldes daquele que aconteceu em 2001/2002, precisamos URGENTEMENTE construir fontes de energia! Belo Monte vem responder a esta urgência, e os maiores beneficiados somos nós.

...continua.

Barkom disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Barkom disse...

... continuação.

“É uma pena que o ensino de engenharia e economia tenha sido totalmente dominado por essa visão utilitarista da natureza. Ninguém mais é capaz de enxergar os impactos de nossas decisões fora de suas áreas específicas. Talvez tenha a ver com a participação dos bancos e empresas de engenharia no financiamento das universidades públicas de todo o país. Estudantes são levados a defender o lobby das construtoras (um dos setores mais antigos em atividade) e o interesse dos bancos achando que estão defendendo algum tipo de progresso para o país.”
Eu discordo e poderia dizer que existem estudantes que são levados a defender o lobby dos ambientalistas e o interesse da extrema esquerda, achando que o progresso do país se realiza em um passe de mágica, sem consumir energia ou recursos naturais, com dinheiro não sei de onde.
Se o dinheiro é público, criticam dizendo que vem do bolso do brasileiro, se o dinheiro é privado criticam dizendo que estamos nos vendendo ao capital privado.
Querem empregos para todos. Mas se esquecem que quem dá empregos são empresas e indústrias, que precisam de energia elétrica, que precisam de recursos. Não querem dar energia elétrica para grandes empresas, e nem recursos, mas sonham em ter um emprego em uma grande empresa, que não atrasa salário e q proporciona crescimento profissional, como a Vale ou a Odebrecht.
Querem hospitais. Não sei como vão fazer hospitais sem energia.
Querem casas para todos. Mas acho que vão querer colocar iluminação a lampião nelas.
Querem comida para todos. Mas não sei de onde querem ter energia para processá-la, transportá-la e armazená-la.
E quando milhares de pessoas saem da linha da pobreza e começam a comprar geladeira, TV, e máquina de lavar, acham q vão tirar energia de onde?
E depois vêm com a conversa de utilizar energia solar e eólica. São energias muitos bonitas, mas, para a realidade de hoje, no Brasil, totalmente inviáveis. E o problema precisa ser resolvido HOJE.

... continua.

Barkom disse...

... continuação.

“São estes os mesmos interesses que fazem com que a energia solar (forma de energia mais abundante no planeta e que ja é o combustível da vida de trilhões de organismos) se mantenha como "alternativa cara demais", afinal preferimos investir mais dinheiro em tecnologias que arrastam a reboque industrias arcaicas (muito bem representadas até no senado) do que em meios de tornarmos economicamente viáveis tecnologias avançadas.”
Dizer que as empresas têm o interesse de não investir em tecnologias avançadas para gerar energia é um equívoco.
As empresas são as mais interessadas em diminuição de custos, sendo que a energia é uma das maiores fontes de gastos para elas. O Brasil tem um papel de destaque em termos de energia alternativa. Mais de 1 milhão de pessoas no país atuam na produção de biomassa, por exemplo, e esta energia representa 27% da matriz energética do Brasil. Mas corremos o grande risco de ficarmos para trás.
E um ponto, concordo com vc: precisamos investir muito mais em energias alternativas, porque em termos de pesquisa científica estamos muito atrasados. Mas isso não é por causa de falta de interesse empresarial! No setor privado, negócios verdes esbarram em gargalos como estrutura tributária inadequada, falta de marco regulatório e ausência de incentivo.
Globalmente, uma fatia média de 16,4% dos pacotes de estímulo lançados no ano passado para mitigar os efeitos da crise econômica, foi 'verde' (US$ 513 bilhões em 17 grandes economias). No Brasil, só R$ 1,5 bilhão, ou cerca de 5% do total de estímulos fiscais anticrise, focou o setor produtivo "limpo".
Agora, vc me pergunta, porque? Creio q o governo está mesmerizado com o pré-sal, há um esforço grande na pesquisa em torno dele. Se você fica fascinado, presta menos atenção a alternativas, que podem até parecer mais caras, mas com os estímulos poderiam resolver. Não concordo que sejam as empresas que impeçam este desenvolvimento de fontes alternativas, mas podem haver outros interesses, no caso, políticos, como o de outros países querendo ver o Brasil sair de sua posição de destaque em termos energéticos, que querem que fiquemos para trás.
Esta é uma questão a ser resolvida com empenho, para o futuro. O BNDES, por exemplo, deveria financiar MUITO o desenvolvimento de energia alternativa. Mas para resolver a carência energética que se faz sentir no curtíssimo prazo, não temos HOJE, infelizmente, outra alternativa melhor do que prosseguir na construção da hidrelétrica de Belo Monte.

Abraço.

Anônimo disse...

Barkom, parabéns, vc é um legítimo representante da ideologia do progresso do século XIX. Seu único comentário relativo a seres humanos foi: "Qualquer obra de infra-estrutura de grande porte atropela as comunidades que estão em seu caminho. Ou vc acha que para construir rodovias, ferrovias, metrô, etc, não há desapropriações, ninguém é forçado a deixar suas casas, não há pessoas que perdem suas terras e seus bens? É claro que muitas pessoas vão ser prejudicadas. Mas dezenas de milhões de pessoas serão beneficiadas pela energia da usina".
Lembra um discurso de não muito tempo atrás: um alemãozinho de bigode esquisito que acava que prejudicar (ou matar) alguns ia salvar um povo inteiro.

aline disse...

Excelente seu post, W.

uma coisa não muito abordada e sobre a qual os engenheiros da Unicamp fingem de mortos, o que é pasmante pq são engenheiros, é a perda energética na "pequena" linha de transmissão que levaria essa eletricidade ao sul/sudeste - o desperdício, por tantos motivos, vai sim ser enorme, além dos custos ambientais e monetários para manter a linha de transmissão.

Eu acho que já estarmos na etapa de construção de Belo Monte não é apenas ruim, é ilegal. As poucas condicionantes de licença ambiental que foram efetivamente colocadas na licença prévia não foram integralmente cumpridas e, no entanto, a licença de instalação foi concedida.

Os EUA são um país com histórico de grandes barragens e, hoje, também tem toneladas de estudo mostrando como isso não valeu a pena, pois destruiu a hidrografia do país por um benefício energético bom a médio prazo mas muito fraco a longo prazo, com todos os impactos ambientais associados.

E sua observação final sobre progresso e devastação foi no ponto. Excelente mesmo.

um abraço

Barkom disse...

Caro Anônimo,
deixa eu te ensinar algo: no capitalismo, sempre que um ganha, outro perde. Nunca todos vão ganhar. O máximo que podemos fazer é minimizar as perdas.
Se vc não quer que pessoas sejam prejudicadas, se vc acha que ninguém deve ser prejudicado, se vc quer continuar no capitalismo, então deve começar a agir da seguinte forma:
1-Pare de comprar eletroeletrônicos, tênis, e zilhões de marcas de vestuário, informática e tecnologia, pois utilizam mão-de-obra na China, no Brasil e na Índia, e deixam milhões de pessoas desempregadas na Europa e EUA. Pessoas são extremamente prejudicadas para vc ter estes equipamentos. Aliás, lute para que todas estas empresas saiam do Brasil, parem de fazer fábricas aqui e voltem para Europa e EUA, voltando a dar empregos aos q lá habitam.
2-Pare de utilizar metrô. E defenda a interrupção da construção de mais linhas de metrô. Centenas de pessoas são forçadas abandonar suas casas devido ao metrô.
3-Pare de utilizar banco. E principalmente nunca aplique dinheiro em banco. Milhões de pessoas são aprisionadas pelos bancos em exigências de pagamentos abusivos de juros para vc ter remuneração em teus investimentos.
4-Nunca mais circule por estradas e exija que nunca mais se construa estradas, já que centenas de pessoas entregaram suas propriedades para que as estradas existissem.
5-Pare de utilizar energia elétrica. Não utilize mais nenhum equipamento com energia elétrica e lute para que ninguém mais utilize energia elétrica. Produzir energia elétrica é a atividade mais poluidora do planeta, prejudicando milhões de pessoas hoje e nas gerações futuras. Além do mais, a energia que vc utiliza hoje é gerada por uma hidrelétrica, que com certeza causou impactos ambientais e obrigou muitas famílias a abandonarem suas terras e suas casas.
6-Pare de utilizar óleo de soja. Assim como outros produtos derivados da soja que incluem óleos, farinha, sabão, cosméticos, resinas, tintas, solventes. Não os utilize. Talvez eles sejam produzidos por uma soja que veio de uma terra oriunda de desmatamento ou então de empresas q compraram pequenas propriedades, obrigando seus donos a abandonar o q tinham. Muita gente foi muito prejudicada para vc poder ter óleo para fritar tua batata.
7-Pare de utilizar carro, ônibus, ou qualquer meio de transporte q utilize combustível oriundo do petróleo. E mais, lute, para que se pare de utilizar caminhões, ônibus nas cidades, ferrovias, navios. Lute para que as fábricas de automóveis fechem. Isso porque a exploração de petróleo é uma atividade danosa ao meio ambiente, a queima do combustível aumenta a poluição prejudicando milhões de pessoas.
8-E se vc utiliza veículo á álcool, pare. O álcool é feito com trabalho semi-escravo na colheita de cana. Aliás, é verdade: agora quase tudo é mecanizado. Bom, de todo jeito prejudicou muita gente porque ao se utilizar colheita mecanizada, centenas de trabalhadores hoje não têm o emprego q tinham nos canaviais. Vc não pode se beneficiar enquanto tanta gente é prejudicada.
9- E já que falamos da cana, então pare de utilizar açúcar tb, pelas mesmas razões.
10-E pare tb de utilizar gás na tua cozinha, pelo mesmo raciocínio.
Bom, vou parar minhas sugestões por aqui, pois é melhor vc passar a viver na idade da pedra. Isso se vc quiser continuar fiel ao teu raciocínio não sendo um hipócrita.
Acho q deu para perceber que, qdo eu disse, q no sistema capitalista, pessoas são prejudicadas para que outras venham a ter suas vidas melhoradas, isto é irremediável e o máximo q se pode fazer é tentar minimizar os danos, pois o progresso nunca virá de maneira a beneficiar todo mundo, eu estava apenas sendo realista. Diante desta realidade, vejo que vc é contra o progresso.
Se vc não quer progresso, então seja o primeiro a consolar aqueles q vc vai deixar na pobreza, e seja o primeiro a voltar a viver na idade da pedra.
Abraço.
PS: vou esquecer a tua menção a Hitler pois aquilo foi extremamente ridículo, uma acusação estúpida, ao comparar a minha simples constatação da realidade capitalista com a obsessão doentia de um tirano hediondo.

Barkom disse...

Ah, caro Anônimo, tem mais uma coisa.
Aquela minha afirmação, q vc citou, não foi o único comentário relativo a seres humanos. Vc deveria ler o meu texto antes de criticá-lo.

Mas eu me dou o trabalho de copiar aqui, para vc, 3 outras minhas afirmações relativas ao ser humano:
1-“ Pense no seguinte: o Brasil precisa de mais hospitais, escolas, universidades, que vão funcionar com qual energia? O Brasil precisa de mais empregos, ou seja, mais indústria e comércio, que vão funcionar com qual energia? O Brasil precisa de mais casas, que vão funcionar com qual energia? O Brasil precisa retirar milhões da miséria, que vão trabalhar, estudar, e adquirir suas casas, e tudo isso vai funcionar com qual energia? O Brasil precisa produzir mais alimentos, com qual energia? “
1 - “Quantos milhares de pessoas, nos últimos anos, estão melhorando de vida, seja saindo da miséria, seja subindo para as classes C e B? E estas pessoas querem casa, comida, roupas, lazer ... e quem vai fornecer energia elétrica para tanto? O país tem atraído indústrias (vide a JAC Motors na Bahia), tem intensificado o comércio, tem visto empresas nascerem do empreendedorismo, tem criado milhares de empregos, e quem vai fornecer energia elétrica para isso?”
2 – “O que devemos fazer é pressionar para que estes custos sócio-ambientais sejam os menores possíveis. Devemos lutar para que as construtoras respeitem os trabalhadores, as populações e o meio-ambiente e devemos lutar para que parem de atropelar as comunidades que estão em seu caminho. Mas não devemos parar obras importantes de infra-estrutura.”
Abraço.

Barkom disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Barkom disse...

Prezada aline:

Gostaria de colocar algumas observações sobre seu post:

- “uma coisa não muito abordada e sobre a qual os engenheiros da Unicamp fingem de mortos, o que é pasmante pq são engenheiros, é a perda energética na "pequena" linha de transmissão que levaria essa eletricidade ao sul/sudeste - o desperdício, por tantos motivos, vai sim ser enorme, além dos custos ambientais e monetários para manter a linha de transmissão.”

Esta afirmação demonstra falta de conhecimento a respeito do sistema energético brasileiro: no Brasil, existe o o Sistema Interligado Nacional (SIN), que é um sistema de coordenação e controle, formado pelas empresas das regiõesSul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte, que interliga o sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil, Apenas 3,4% da capacidade de produção de eletricidade do país encontra-se fora do SIN. Os subsistemas do SIN, subsistemas Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul, são todos interligados entre si, de forma a aproveitar melhor a sazonalidade dos rios e de permutar os excedentes de energia elétrica durante o período das cheias em cada região. Ou seja, esta “pequena” linha de transmissão já existe e a perda energética não impede, por exemplo, da energia de Itaipu chegar a Minas Gerais, RJ e São Paulo, mais de MIL kilometros de distancia. Tb não impedirá a energia de Belo Monte de chegar a seu destino, mesmo q seja muito longe.

- “Eu acho que já estarmos na etapa de construção de Belo Monte não é apenas ruim, é ilegal. As poucas condicionantes de licença ambiental que foram efetivamente colocadas na licença prévia não foram integralmente cumpridas e, no entanto, a licença de instalação foi concedida.”

Houve julgamento na Justiça Federal de um processo movido pelo Ministério Público que tb achava Belo Monte ilegal e inconstitucional. O juiz não deu razão ao MP e considerou as suas alegações improcedentes. Agora, se ainda assim há dúvidas em relação à legalidade, defendo a idéia que se deve investigar a fundo, e punir os responsáveis pelos erros. Mas parar a construção de Belo Monte iria trazer conseqüências ainda mais danosas: falta de energia no futuro e abandono de instalações e trabalhadores desempregados no presente.

- “Os EUA são um país com histórico de grandes barragens e, hoje, também tem toneladas de estudo mostrando como isso não valeu a pena, pois destruiu a hidrografia do país por um benefício energético bom a médio prazo mas muito fraco a longo prazo, com todos os impactos ambientais associados.”

Nenhum estudo diz que as construções de hidrelétricas não valeram a pena. Elas valeram a pena para o propósito em que foram construídas, no seu contexto e no seu momento. Las Vegas não seria o que é sem a hidrelétrica de Hoover. Não havia melhor alternativa, e foi excelente para o desenvolvimento do país a existência destas fontes de energia. Agora, o que os estudos destacam, é que é preciso encontrar outras alternativas para o futuro. É por isso que os EUA investem bilhões no desenvolvimento de fontes de energia alternativas. O Brasil precisa seguir o mesmo caminho. O fato é que , HOJE, nem Brasil nem EUA dispõe de melhor alternativa, tanto é que eles ainda não deixaram de utilizar hidrelétricas, usinas nucleares ou termelétricas. E a necessidade de energia no Brasil é, como mostrei acima, para o curtíssimo prazo, para HOJE.

“E sua observação final sobre progresso e devastação foi no ponto. Excelente mesmo.”

A observação dele no final foi totalmente fora do ponto. Eu mostrei acima como a argumentação dele é falha. Se vc tem contra-argumentos, estou disposto a ouvi-los.

Abraço

Gilberto Alvarenga disse...

A unica coisa que eu posso dizer radicalmente.. nao existe alternativa de energia do tipo : eolia, solar. esse tipo de energia e ficcao cientifica. porque as mesma nao consegue abastecer uma cidade tipo sao paulo. nao vem com bla bla. porque o governo da espanha que possuir um projetos de energia alternativa ja abandonou isso, custo muito caro. na inglaterra como eles chama fazendas de vento,, tem muitos no mar , mais custo operacional e alto. e so ir para o litoral ingleis voce vai ver as fazendas. energia solar legal.. precisa de muito espaco para implantar,, os paineis ainda sao muitos grandes e a tecnologia ainda nao existe para armazenar energia suficiente para abastecer uma cidade como sao paulo. mais a energia solar estao implantando no palacio de buckingham como incentivo de dizer que energia solar e alternativa. a imprensa britanica criticou os custos de implantacao pois acharam o valor exorbitante. entao amigos que tal a ideia de implatamos nos tetos de nossas casa ja que no brasil a energia solar tem o ano todo. essa e a unica sugestao que posso surgerir para voces que questionar belo monte. Eu como cidadao Altamirense que com 10 anos vi a populacao de altamira assistir a palestra de belo monte no antigo cinema bonay com o meu pai, posso dizer que o primeiro projeto para o que se apresentar hoje, nao destroi em nada a natureza, levando em consideracao que metade do espaco que vai ser alagado ja e alagado pela natureza no inverno. Galera o que estar em questao se chama desenvolvimento e soberania do brasil sobre a amazonia. sairam as multinacionais que deram um golpe de estado no brasil em nome do capital internacional e entraram as ongs dando golpe de estado a manda de governos internacionais. mais isso e outra discursao

o empirista disse...

O CÉU É AZUL

[este é um comentário teste pra saber se o barkom é só um espírito da contradição sem nenhum hobby interessante]