Segue umas reflexões do Vladimir Safatle que extraí do livro "Cinismo e falência da crítica", não sem alguma distorção.
A função urgente do pensamento é nos levar a um desespero conceitual que produza uma ação que satisfaça à urgência.
Todo programa filosófico relevante é solidário de um acontecimento histórico que força o pensamento a reconstruir quadros conceituais. É sempre o espanto diante do acontecimento que nos leva a pensar. Mas agora temos essa inquietude sem rosto, essa colisão sem avenida, todas as vezes que encaramos um homem nos olhos. Toda a peculiaridade de nossa época talvez venha do fato de não encontrarmos um fato que esteja à altura desse acontecimento. Daí talvez a estranha sensação de que nossa primeira tarefa consiste em acelerar o desabamento.
Há o medo de a crítica ir longe demais, medo de a crítica deixar de ser comparação entre valores e caso para voltar-se contra nossos próprios valores fundamentais. Pois é da essência do pensamento voltar-se contra si mesmo para ser fiel a si mesmo. È da essência do pensamento a força aterradora da dissolução.
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